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Autismo

No dia 02 de abril comemora-se o Dia Mundial da Conscientização do Autismo e o artigo não poderia ser outro. Estima-se que, hoje, nasça uma criança autista em cada 68 nascidos e, portanto, é urgente que saibamos identificar o quadro o quanto antes para iniciarmos o tratamento adequado com bom prognóstico.

O autismo, segundo o DSM-5, é um transtorno do neurodesenvolvimento, ou seja, inicia-se durante o período de desenvolvimento provocando déficits que causam prejuízos nos diferentes aspectos da vida do paciente.

Caracteriza-se por alterações nas interações sociais (comprometimento na comunicação verbal ou não-verbal, dificuldade em desenvolver relacionamento adequado com os pares, ausência de tentativas espontâneas de compartilhar prazer ou interesses, ausência de reciprocidade social ou emocional), dificuldades de linguagem (atraso ou ausência de linguagem oral, em crianças que falam pode haver dificuldades em iniciar ou manter conversação, uso estereotipado ou repetitivo de linguagem, ausência de jogos ou brincadeiras sociais) e alterações comportamentais/comportamentos repetitivos (padrões restritos de interesse, dificuldades em mudar de rotina, movimentos estereotipados ou repetitivos, interesse em partes de objetos).

Muitas vezes, a criança desenvolve-se normalmente até aproximadamente os dois anos de idade e, de um momento para outro, para de falar ou começa a apresentar dificuldades de comportamento ou interação social. Muitos passam a apresentar também seletividade alimentar (só comem determinados alimentos ou de determinadas formas). Outras características que podem ser encontradas nos autistas é: dificuldade na regulação do afeto, andar nas pontas dos pés, sentar com as pernas em “W”, hiperatividade motora, problemas com sono, pegam nas mãos dos pais ou outros adultos para leva-los até o que desejam ou para fazer algo que querem (empurrar um carrinho) e podem apresentar dificuldades na coordenação motora.

Quando bebês, podemos encontrar crianças calmas, que quase não choram (outras que choram demais, sem consolo), dormem muito, não gostam muito de colo, não fazem contato ocular durante as mamadas. Pouco depois, podemos notar, crianças que não imitam, não apontam, não respondem ao chamado, não acenam, ao brincar mais organizam as peças enfileirando-as do que brincam de fato e aparecem os movimentos estereotipados.

Antigamente esse diagnóstico era realizado tardiamente prejudicando muito o funcionamento social da criança, hoje, pode ser realizado muito cedo e os tratamentos já se iniciam. Embora não tenha cura, quando bem estimulada, a criança pode apresentar um bom prognóstico. A Associação Americana de Pediatria sugere que escalas de avaliação do autismo sejam aplicadas em todos os pacientes aos 18 meses, como forma de diagnosticar precocemente.

Não existe ainda causa conhecida para o transtorno, não há marcador biológico, e o diagnóstico é sempre clínico e realizado por neurologistas, pediatras, psiquiatras, psicólogos e neuropsicólogos. É muito importante que as informações sejam disseminadas para que professores possam aprender como identificar essas crianças para poder encaminhá-las o quanto antes.

Após diagnosticadas, iniciamos o tratamento imediatamente. Os tratamentos reconhecidos e recomendados pela OMS (Organização Mundial da Saúde) são:

-Terapia ABA (Análise Aplicada do Comportamento) – em que são ensinadas de forma sistemática as habilidades que a criança não possui (Ex: olhar quando chamado, manter olhar, brincar, higiene pessoal, comportamentos de birra, etc);

– PECS (Sistema de Comunicação através da Troca de Figuras) – para adquirir as habilidades de comunicação diminuindo muitos problemas de comportamento, já que a criança aprende a se comunicar e não precisa fazer birra.

– TEACCH (Tratamento e Educação de Crianças Autistas e com Dificuldades de Comunicação Relacionadas) – é um programa de educação sistemática para ensinarmos habilidades escolares.

Além desses, atualmente temos vários outros tratamentos sendo estudados e descritos como eficazes, mas ainda faltam evidências científicas para serem recomendados pela APA ou OMS.

De qualquer forma, sabemos que o quanto antes diagnosticarmos e iniciarmos os tratamentos, aumentamos as chances de um bom prognóstico.

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