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Inteligência Emocional

No que se refere à educação, no Brasil, encontramos uma supervalorização de algumas habilidades em detrimento de outras tantas que crianças e adolescentes podem desenvolver. Nossas escolas valorizam muito o português (claro, é nossa língua materna, e ainda acho que o investimento é pouco tendo em vista os resultados) e matemática e se esquecem de todas as outras “inteligências” que podem ser melhor desenvolvidas, já que encontramos gênios também no campo da arte, dos esportes, da música, da literatura.

Entre essas outras inteligências, acredito que devemos investir mais na inteligência emocional. Afinal, o que encontro no consultório, na maioria das vezes, são crianças e adolescentes que não são independentes, que não sabem resolver problemas, não sabem ouvir, não se conhecem, tem baixa tolerância à frustração, e essas dificuldades acabam levando-os a outros problemas que, futuramente, acabam por exigir tratamento inclusive medicamentoso.

Acredito muito na prevenção. Nos Estados Unidos, por exemplo, essa alfabetização emocional dentro das escolas já acontece há mais de 10 anos, baseada na teoria das inteligências múltiplas de Howard Gardner. Esses programas, implantados nas escolas dentro ou fora do horário de aula, ensinam os alunos a conhecer seus sentimentos, a lidar com eles e a conviver com as outras pessoas, além de aumentar a capacidade de resiliência.

Os conhecimentos das Neurociências também contribuem para a importância da educação emocional. Sabemos hoje que o cérebro é o último órgão a se desenvolver e esse amadurecimento anatômico perdura até cerca dos 21 anos de idade. Assim, os circuitos neurais que regulam a competência emocional não estão ainda desenvolvidos durante a infância e a adolescência. Mas, sabemos também que o cérebro é plástico, principalmente durante esses primeiros anos, sendo que pode ser moldado a partir das experiências que ajudam a desenvolver hábitos emocionais mais assertivos.

Mas, o que vem a ser, afinal, inteligência emocional? Numa definição simplificada, inteligência emocional é: “a capacidade de perceber acuradamente, avaliar e expressar as emoções; capacidade de perceber e/ou gerar sentimentos quando eles facilitam o pensamento; a capacidade de compreender as emoções e o conhecimento emocional e a controlar as emoções para promover o crescimento emocional e intelectual”.

Em outras palavras, inteligência emocional representa a aptidão de raciocinar com emoções e envolve:

– capacidade de identificar as emoções e o conteúdo emocional em si e nos outros (expressões faciais, sensações musculares e corporais);

– capacidade de manter-se aberto aos sentimentos tanto agradáveis quanto desagradáveis;

– capacidade de administrar as emoções em si mesmo e nos outros pela moderação das negativas e valorização das agradáveis;

– capacidade de interpretar os significados que as emoções transmitem;

– capacidade de reconhecer a transição entre emoções;

– capacidade de expressar os sentimentos e as necessidades que envolvam esses sentimentos, entre outros.

Pesquisas já demonstraram que a inteligência geral (cognitiva ou QI) é responsável por apenas 10 a 20 % do sucesso acadêmico ou profissional, sendo os outros 80 a 90% atribuídos à outras inteligências, onde se inclui a emocional. Pessoas com mais inteligência emocional são mais capazes de fazer com que seus funcionários se sintam bem no ambiente de trabalho, apresentam uma maneira mais interessante de se comunicar e são mais capazes de criações que envolvam mais sentimento e estética, o que faz a diferença em muitos ambientes de trabalho.

A boa notícia é que não precisamos nascer emocionalmente inteligentes, podemos adquirir essa habilidade com a educação emocional. E essa começa em casa, através de uma boa interação pais-filhos, e na escola, na relação professor-aluno, ajudando as crianças a identificar e nomear suas emoções, respeitar seus próprios sentimentos e os dos outros.

Porém, alguns pais e/ou professores trazem consigo comprometimentos psicológicos que prejudicam esse aprendizado emocional da criança, necessitando para isso de ajuda externa de um psicoterapeuta.

Algo que estimula muito a inteligência emocional é a literatura, arte, música e teatro e a análise das obras, a história por trás delas, dos autores. Os valores ensinados através de aulas de cidadania e religião (independente de qual) também.

E, portanto, podemos perceber o quanto a escola também tem responsabilidade em relação à educação das emoções. Afinal, se o aluno está passando por algum problema pessoal ou familiar, fica muito difícil que a escola consiga desenvolver nele as habilidades e o conhecimento acadêmico.

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