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Pais exigentes

O mercado de trabalho está cada vez mais competitivo e bons empregos estão cada vez mais difíceis. Muitos profissionais qualificados estão desempregados. Tudo isso faz com que os pais se preocupem com o futuro de seus filhos e queiram prepara-los desde pequenos para o futuro, matriculando-os em boas escolas e em inúmeras atividades extracurriculares que vão de cursos de idiomas a aulas de gastronomia para crianças.

Em nome de um futuro promissor, as exigências dos pais para com seus filhos estão cada vez maiores. Mas as dúvidas recaem sobre muitas famílias: deveria incentivar, elogiar ou criticar e exigir cada vez melhor?

Segundo a Revista Mente e Cérebro, em 2011, Amy Chua (de origem asiática) lançou um livro onde apresentou um método de educação, denominado “mãe-tigre”, bastante rígido com o qual diz ter educado suas duas filhas. De acordo com Amy, esse método consiste em focar a atenção nos erros dos filhos e não nos acertos. Completa ainda que os pais não devem elogiar seus filhos em público. Mas não para por aí. Além disso, notas abaixo de 10 são consideradas desprezíveis e quem deve definir quais as atividades extracurriculares que a criança fará são os pais, as crianças não deve opinar a respeito, apenas obedecer.

Não sei qual a opinião do leitor a respeito, mas muitos pais, por todo o mundo, têm aplicado técnicas de educação semelhantes.

Esse método foi cientificamente estudado por psicólogos da Universidade do Texas (acompanhados durante 8 anos) e eles concluíram que “a inflexibilidade dos adultos não traz, necessariamente, melhorias no rendimento acadêmico e ainda pode provocar depressão infantil”.

Após concluída a pesquisa, os cientistas classificaram os pais em 4 tipos: apoiador (ou democrático), tigre, autoritário e descontraído. Famílias com pais apoiadores eram as que obtinham melhores índices de desenvolvimento das crianças. Famílias de “pais-tigre” obtiveram as médias mais baixas na escola, mais sintomas depressivos e menor grau de responsabilidade social.

Pesquisa mais recente a respeito do tema, realizada com aproximadamente 4 mil adultos, chegou à conclusão que filhos de pais muito rígidos apresentam maior tendência a desenvolver ansiedade infantil, sendo que esse quadro pode persistir na vida adulta. A pesquisa ainda indicou que filhos de pais muito autoritários têm maior dificuldade em lidar com as adversidades quando adultos.

Além dos resultados apontados, a criação punitiva pode ainda provocar efeitos poderosos e persistentes, do ponto de vista neurológico, porque treinam o cérebro a enfatizar excessivamente os erros. Esse pensamento mais catastrófico, que é desenvolvido, pode ser responsável por quadros de ansiedade ainda na infância e adolescência.

Então isso significa que não podemos apontar os erros dos filhos? Não. Todos cometemos erros durante a vida e é saudável desenvolver um senso crítico relacionado aos nossos erros. Só não podemos ensinar os filhos a serem excessivamente críticos em relação a si mesmos.

O correto então é elogiar muito e ser permissivo? Também não. Muitas famílias tentam compensar a falta de atenção recebida dos pais exagerando nas demonstrações de afeto para com seus filhos, o que também é péssimo para o desenvolvimento dos mesmos, pois pode gerar baixa tolerância à frustração, falta de empatia e sentimentos de superioridade. O excesso de elogios faz com que a criança busque constantemente o reconhecimento e isso é muito estressante e também predispõe a quadros de ansiedade e depressão.

O elogio deve ser dado na medida certa (como reforço pelo bom comportamento ou por superar algo) e não o oferecido indiscriminadamente. “O elogio bem feito deve estar a serviço da educação da criança e não das carências e inseguranças dos pais” (Andrea Alfano).

Portanto, o desafio, como em tudo, é fugir dos exageros.

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