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Autismo

No último dia 2 de abril foi comemorado o Dia Mundial de Conscientização do Autismo. Muitas instituições participaram de diversos eventos realizados por todo o Brasil com a intenção de chamar a atenção para esse transtorno do neurodesenvolvimento que, hoje, estima-se atinge 1 a cada 68 crianças, de acordo com estudo americano já que no Brasil, ainda não existem pesquisas com esses dados. E a prevalência é maior em meninos na proporção de 4:1.

Ainda não se sabe ao certo as causas. Vários marcadores biológicos estão sendo estudados, mas nada conclusivo. Sabe-se que é genético, pois ocorre entre irmãos, e a última pesquisa da Harvard concluiu que quando o primeiro filho é uma menina as chances de ter outro filho autista aumenta.

Além do fator genético, vários fatores ambientais estão sendo estudados como possíveis causas: idade materna avançada, stress, alimentação com uso de agrotóxico, infecções maternas no período gestacional, alterações metabólicas. Mas ainda são necessários vários estudos.

No caso do autismo, o tratamento precoce é fundamental para um bom prognóstico. Por isso, torna-se fundamental que pais, familiares e profissionais da escola fiquem atentos aos sintomas: não fixa o olhar por muito tempo nas pessoas (no olho), não tem atenção compartilhada (olhar para onde todos estão olhando), atraso no desenvolvimento da linguagem, movimentos repetitivos, interesses estranhos por alguns objetos (cadarço, ventilador, canudos, etc), muitas vezes seu brincar não é funcional (pega um carrinho e ao invés de empurrá-lo fica brincando com a rodinha), ecolalia (repetição imediata ou tardia de palavras ou frases ditas por outras pessoas ou escutadas em desenhos, filmes, etc), enfileira os objetos, não obedece a comandos ou instruções parecendo que não está escutando, pode ter hipo ou hipersensibilidade ao toque e a outros estímulos sensoriais, muitas vezes não reage bem às mudanças.

Ao detectar qualquer uma dessas alterações, é importante que a criança seja encaminhada para uma avaliação com o neurologista que fará encaminhamento para outras avaliações que se fizerem necessárias (psicóloga, fonoaudióloga, terapeuta ocupacional, psicopedagoga). Hoje existem vários instrumentos validados no Brasil que avaliam a linguagem, o comportamento, o desenvolvimento, o perfil sensorial, comportamento funcional, etc.

O tratamento precoce também é fundamental para o bom prognóstico. O autismo não tem cura, mas o tratamento ajuda a melhorar vários aspectos da criança tornando-a mais adaptada. O importante no tratamento é que este seja intenso e intensivo, pois aproveitamos a neuroplasticidade para fazer as conexões neuronais que são falhas no autismo. A OMS (Organização Mundial da Saúde) sugere que sejam feitas 40 horas semanais de terapias. Como sabemos que isso é muito difícil no Brasil, onde o governo não ajuda, contamos com a ajuda das famílias e das escolas para nos auxiliar no tratamento, dando continuidade nos outros ambientes.

Hoje, temos uma grande oferta de tratamentos, mas é preciso ter cuidado pois tem todos tem estudos concretos e são baseados em evidências. O Guideline para o autismo (que é um guia mundial de pesquisas e protocolos) possui uma lista com os tratamentos que são baseados em pesquisas e portanto indicados.

Entre eles encontramos: terapia ABA (Aplied Behavior Analysis – Análise Aplicada ao Comportamento) que é uma abordagem psicológica que se caracteriza por uma visão de homem e mundo que implica que muito do que fazemos (em termos de comportamento) é determinado e determina os efeitos sobre o ambiente (consequências) e portanto, se alterarmos o antecedente ou a consequência, mudamos o comportamento. Essa abordagem pode ser aplicada nas outras terapias: fonoaudiologia, educação física, psicomotricidade, etc.

Temos também o método TEACCH que é uma intervenção baseada na psicologia comportamental, de aprendizagem estruturada que utiliza suportes visuais para ajudar no processo e tem terapeutas como mediadores (ATs – Acompanhantes Terapêuticos). As habilidades são ensinadas de forma sistemática e a rotina da criança é bem estabelecida e organizada.

E, para auxiliar na comunicação, temos o PECS, que é um sistema de comunicação alternativo por troca de figuras que são universais, que busca criar oportunidades de comunicação, aumentar o vocabulário e estruturar a comunicação.

Para maiores dúvidas, criamos, além dos outros departamentos especializados na clínica, um canal de comunicação para tirar dúvidas a respeito do autismo: ERA – Equipe de Resposta ao Autismo, com pessoas especializadas e treinadas para responder as dúvidas de pais e familiares a respeito dos desafios diários da pessoa com autismo. O contato é através do seguinte email: era.sinapses@gmail.com.